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Da obesidade à síndrome cardio-renal-metabólica

Joana Louro


Da obesidade à síndrome cardio-renal-metabólica 

A obesidade deixou há muito de caber num número na balança. Hoje, impõe-se como um continuum patológico onde adiposidade, inflamação e disfunção metabólica convergem, com impacto direto no coração, rim e sistema vascular. Nesta reflexão, Joana Louro, assistente hospitalar graduada em Medicina Interna da ULS Oeste,desafia a linguagem, o olhar…
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O papel da inflamação na génese da aterosclerose 

Marisa Neves


O papel da inflamação na génese da aterosclerose 

A aterosclerose deixou de ser entendida apenas como uma doença do colesterol. Hoje, a evidência científica é clara: trata-se de um processo inflamatório crónico, onde a interação entre lípidos modificados e o sistema imunitário condiciona a progressão e a instabilidade da placa. A inflamação residual emerge como fator decisivo de…
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Fatores de risco cardiovascular do século XXI: mudanças climáticas

Rui Osório Valente


Fatores de risco cardiovascular do século XXI: mudanças climáticas

O risco cardiovascular do século XXI já não se explica apenas por hábitos individuais. A poluição do ar e as temperaturas extremas atuam como fatores silenciosos, mensuráveis e evitáveis. Segundo Rui Osório Valente, especialista de Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa e da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, ignorá-los é comprometer…
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Como transformar o panorama da investigação na doença cardiovascular em Portugal

Fausto Pinto


Como transformar o panorama da investigação na doença cardiovascular em Portugal

As doenças cardiovasculares continuam a liderar a mortalidade em Portugal, exigindo uma reflexão estratégica sobre o futuro da investigação clínica nesta área. Entre inovação tecnológica, financiamento sustentável e políticas públicas eficazes, impõe-se um novo ciclo de ambição científica ao serviço da Cardiologia e da saúde pública. Leia o artigo de…
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A alimentação é um determinante central do risco vascular e tem impacto na modulação da inflamação vascular, do stress oxidativo e da disfunção endotelial, mecanismos importantes na progressão da aterosclerose. As Guidelines ESC 2021 e da Sociedade Espanhola de Aterosclerose (SEA, 2024) recomendam a adoção de um padrão alimentar tipo mediterrânico, com elevado consumo de frutas, hortícolas, leguminosas, frutos oleaginosos e cereais integrais, e predomínio de gorduras mono e polinsaturadas, particularmente o azeite virgem extra (EVOO). O consumo de peixe, especialmente de espécies ricas em ácidos gordos ómega-3, é incentivado, enquanto carnes vermelhas e processadas, produtos ultraprocessados, sal e açúcares adicionados é limitado. A evidência sublinha que mais importante do que reduzir a gordura saturada é o que a substitui: trocas por gorduras insaturadas reduzem o colesterol LDL (Ros et al., 2025). Estudos clínicos randomizados corroboram estas recomendações. O estudo PREDIMED, de prevenção primária, demonstrou uma redução relativa de 30% em eventos cardiovasculares major em indivíduos que seguiram uma dieta mediterrânica (DM) suplementada com EVOO ou frutos oleaginosos (Estruch et al., 2018). O estudo CORDIOPREV, de prevenção secundária, evidenciou menor progressão da aterosclerose com uma DM rica em EVOO comparativamente a uma dieta hipolipídica e rica em hidratos de carbono complexos (Jose Jimenez-Torres 2021). Por outro lado, a ESC/EAS 2025 e a SEA 2024 concluem que a suplementação com vitaminas e minerais não é recomendada para redução de risco vascular, pela ausência de evidência de benefício e potenciais riscos em doses elevadas. A SEA 2024 acrescenta que padrões alimentares de elevada qualidade promovem não só saúde vascular, mas também sustentabilidade ambiental, sendo apresentada como uma medida que beneficia simultaneamente a saúde individual e a do planeta. A evidência atual aponta para que a qualidade global da dieta, mais do que um único padrão alimentar, seja o principal preditor de proteção vascular. Uma meta-análise de 159 estudos prospetivos (6,2 milhões de participantes), mostrou que dietas de elevada qualidade reduziram em 17% a incidência e mortalidade por doença cardiovascular (Taylor et al., 2023). O conceito de padrão alimentar, ao invés do foco em nutrientes isolados, reflete a interação sinérgica entre nutrientes e compostos bioativos na matriz dos alimentos, modulando vias metabólicas e inflamatórias determinantes da função vascular. No contexto português, a DM assume-se enquanto modelo alimentar de promoção de saúde vascular e sustentabilidade. A sua implementação requer o envolvimento coordenado de nutricionistas, médicos, farmacêuticos, e outros profissionais de saúde, através de intervenções breves, consistentes e baseadas na evidência. É com esta ação coletiva, juntamente com a implementação de políticas de produção e consumo alinhadas com as recomendações, que poderemos, efetivamente, tornar a aterosclerose uma doença rara

Ana Margarida Pinto


Dieta e risco vascular: da evidência à prática

Num artigo de opinião que explica o peso da alimentação em doentes com aterosclerose, Ana Margarida Pinto, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, baseia-se em guidelines e estudos clínicos que corroboram as recomendações. Leia o conteúdo que faz, também, uma revisão do contexto português regido por uma dieta mediterrânica como promotora…
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Fenotipagem da aterosclerose usando inteligência artificial

Miguel Nobre Menezes


Fenotipagem da aterosclerose usando inteligência artificial

A inteligência artificial abriu uma etapa decisiva na leitura da aterosclerose, ao transformar dados dispersos em conhecimento clínico acionável. Para cardiologistas, este avanço significa diagnósticos mais finos, estratificação rigorosa e uma prática sustentada por evidência em tempo real. Leia o artigo de opinião de Miguel Nobre Menezes, do Hospital de…
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Sociedade Portuguesa de Aterosclerose: Um crescimento gradual, mas consistente

Francisco Araújo


Sociedade Portuguesa de Aterosclerose: Um crescimento gradual, mas consistente

O compromisso da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) mantém-se firme: elevar o conhecimento científico e reforçar a prevenção cardiovascular. Durante o XXXIII Congresso, o presidente, Francisco Araújo, sublinha uma ambição clara — unir clínicos e investigadores para aproximar Portugal de um futuro onde a aterosclerose seja, enfim, rara. Leia o…
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Hipertensão arterial: afinal há cura?

Vitória Cunha


Hipertensão arterial: afinal há cura?

Num contexto em que a hipertensão arterial continua a ser um dos maiores desafios da prática clínica, Vitória Cunha, medica interna da Unidade Local de Saúde Almada-Seixal/ Hospital Garcia de Orta, propõe uma reflexão incisiva: haverá realmente cura para a HTA ou apenas controlo possível? Uma leitura que interpela a…
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Critical Care CESPU’25: O cérebro no centro dos cuidados críticos

Filipe Fernandes


Critical Care CESPU’25: O cérebro no centro dos cuidados críticos

A disfunção neurológica é muitas vezes o primeiro sinal de instabilidade no doente crítico e exige avaliação imediata e sistemática. O V Congresso Critical Care – CESPU’25 reforçou a urgência da neuromonitorização, da resposta protocolada e da precisão clínica, lembrando que cada atraso compromete prognóstico, autonomia e vida. Leia o…
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Não perca o ritmo: Prevenir para não parar

Ana Nascimento


Não perca o ritmo: Prevenir para não parar

A importância da prevenção cardiovascular é tema deste artigo de opinião de Ana Nascimento, do Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, por ocasião do Dia Mundial do Coração. A médica alerta para o impacto das escolhas diárias na saúde cardíaca e reforça a necessidade…
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