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	<title>Atualidade Archives - My Cardiologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da Cardiologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças cardiovasculares</description>
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	<title>Atualidade Archives - My Cardiologia</title>
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		<title>Lp(a) elevada pode revelar risco cardiovascular oculto, sobretudo em mulheres e jovens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 11:06:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na Revista Portuguesa de Cardiologia, reforça o papel da lipoproteína(a) [Lp(a)] como fator de risco cardiovascular independente e defende a sua medição pelo menos uma vez na vida. A investigação, realizada em doentes internados por síndrome coronária aguda, revelou que cerca de 39% [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na <em>Revista Portuguesa de Cardiologia</em>, reforça o papel da lipoproteína(a) [Lp(a)] como fator de risco cardiovascular independente e defende a sua medição pelo menos uma vez na vida. A investigação, realizada em doentes internados por síndrome coronária aguda, revelou que cerca de 39% apresentavam níveis de Lp(a) superiores a 100 nmol/L e um em cada cinco ultrapassava os 175 nmol/L.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados evidenciam uma associação particularmente forte entre níveis elevados de Lp(a) e síndrome coronária aguda nas mulheres e nos indivíduos mais jovens. Para o cardiologista Ricardo Fontes-Carvalho, professor da FMUP e um dos autores do estudo, estes dados sugerem que este marcador poderá contribuir para identificar mulheres aparentemente saudáveis, mas geneticamente predispostas a enfarte ou outros eventos cardiovasculares, permitindo uma prevenção mais precoce e personalizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação demonstrou ainda que esta associação se mantém independentemente de fatores de risco tradicionais, como colesterol LDL, diabetes, hipertensão arterial ou tabagismo. Os autores verificaram igualmente que os níveis de Lp(a) não se correlacionam com outros parâmetros lipídicos, reforçando o seu valor como marcador autónomo de risco. Determinada sobretudo pela genética e estável ao longo da vida, a Lp(a) permanece fora das análises de rotina, apesar das recomendações internacionais defenderem a sua avaliação universal numa única medição.</p>
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		<title>Desnervação renal: cardiologistas definem critérios nacionais para seleção de doentes</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/desnervacao-renal-cardiologistas-definem-criterios-nacionais-para-selecao-de-doentes/220493/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 11:04:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), publicou o primeiro consenso nacional sobre a utilização da desnervação renal no tratamento da hipertensão arterial de difícil controlo. O documento, divulgado na Revista Portuguesa de Cardiologia, pretende harmonizar a prática clínica em Portugal, definindo critérios de seleção de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), publicou o primeiro consenso nacional sobre a utilização da desnervação renal no tratamento da hipertensão arterial de difícil controlo. O documento, divulgado na <em>Revista Portuguesa de Cardiologia</em>, pretende harmonizar a prática clínica em Portugal, definindo critérios de seleção de doentes, protocolos de atuação e recomendações baseadas na evidência científica mais recente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a presidente da APIC, Joana Delgado Silva, a desnervação renal constitui uma das mais relevantes inovações terapêuticas na abordagem da hipertensão arterial, tornando essencial a existência de orientações nacionais que assegurem uma utilização criteriosa, segura e uniforme da técnica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consenso sublinha que a decisão de realizar o procedimento deve resultar de uma avaliação multidisciplinar, envolvendo Cardiologia Clínica, Cardiologia de Intervenção e outras especialidades dedicadas ao tratamento da hipertensão arterial. De acordo com o documento, a desnervação renal pode proporcionar reduções sustentadas da pressão arterial através de sistemas de radiofrequência ou de ultrassons, mantendo um perfil de segurança consistente quando aplicada em doentes criteriosamente selecionados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As recomendações definem ainda os requisitos organizacionais dos centros que realizam o procedimento, os elementos essenciais da avaliação pré e peri-procedimento e um plano estruturado de seguimento, baseado em medições da pressão arterial em consulta, no domicílio e por monitorização ambulatória, permitindo otimizar a terapêutica anti-hipertensora. O documento refere igualmente que a técnica já se encontra disponível em vários centros portugueses com equipas diferenciadas de Cardiologia de Intervenção, em articulação com outras especialidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento está disponível para consulta <a href="https://www.revportcardiol.org/pt-an-expert-consensus-statement-on-articulo-S0870255126002040?referer=buscador">aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>Via Verde de Choque Cardiogénico entra em funcionamento na Região Centro</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/via-verde-de-choque-cardiogenico-entra-em-funcionamento-na-regiao-centro/220454/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 13:07:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra colocou em funcionamento a Via Verde de Choque Cardiogénico, assumindo-se como “centro de referência da Região Centro” para a abordagem desta emergência cardiovascular, associada a uma mortalidade que pode ultrapassar os 50%. A iniciativa integra o projeto-piloto nacional coordenado pela Direção-Geral da Saúde, atualmente também implementado nas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra colocou em funcionamento a Via Verde de Choque Cardiogénico, assumindo-se como “centro de referência da Região Centro” para a abordagem desta emergência cardiovascular, associada a uma mortalidade que pode ultrapassar os 50%. A iniciativa integra o projeto-piloto nacional coordenado pela Direção-Geral da Saúde, atualmente também implementado nas ULS de São João e de São José, com o objetivo de uniformizar e acelerar a resposta aos doentes mais graves.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto hub regional, a ULS de Coimbra articula-se com as unidades hospitalares de Aveiro, Leiria, Viseu e Figueira da Foz, que funcionam como <em>spokes</em>, assegurando referenciação precoce, comunicação direta entre equipas e transporte inter-hospitalar célere. O modelo envolve Cardiologia, Medicina Intensiva e Cirurgia Cardíaca, entre outras especialidades, permitindo o acesso rápido a suporte circulatório mecânico avançado e outras terapêuticas diferenciadas quando indicadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo o diretor do Serviço de Cardiologia, Lino Gonçalves, esta organização garante que qualquer doente identificado na rede beneficie, sem demora, dos cuidados mais diferenciados. Para o presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra, Francisco Maio Matos, o objetivo é reduzir a mortalidade e assegurar equidade no acesso às melhores opções terapêuticas, independentemente da localização geográfica do doente.</p>
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		<item>
		<title>Doenças autoimunes quase duplicaram em 30 anos e continuam a aumentar a nível global </title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/doencas-autoimunes-quase-duplicaram-em-30-anos-e-continuam-a-aumentar-a-nivel-global/220388/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 10:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um estudo internacional recente, publicado na revista Medicine, revela que a prevalência global das doenças autoimunes quase duplicou entre 1990 e 2021, evidenciando um crescimento significativo deste grupo de patologias ao longo das últimas três décadas. Baseado em dados do Global Burden of Diseases 2021, o trabalho analisou várias doenças autoimunes de elevado impacto avaliando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Um estudo internacional recente, publicado na revista <em>Medicine</em>, revela que a prevalência global das doenças autoimunes quase duplicou entre 1990 e 2021, evidenciando um crescimento significativo deste grupo de patologias ao longo das últimas três décadas. Baseado em dados do <em>Global Burden of Diseases 2021</em>, o trabalho analisou várias doenças autoimunes de elevado impacto avaliando tendências por idade, sexo e região geográfica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostram que, apesar de algumas doenças apresentarem uma tendência de diminuição, como a doença inflamatória intestinal, a esclerose múltipla e a psoríase, outras continuam a crescer, com destaque para a diabetes tipo 1, cuja prevalência tem vindo a aumentar de forma consistente. Outras doenças mantêm tendências estáveis, como a alopecia areata, cardiopatia reumática e artrite reumatoide.&nbsp; No geral, a carga destas doenças mantém-se elevada, refletindo o seu impacto clínico, social e económico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo evidencia ainda diferenças marcadas ao longo do ciclo de vida. A prevalência das doenças autoimunes é mais baixa na infância, aumentando de forma significativa nos adultos jovens e de meia-idade. Paralelamente, observa-se uma maior incidência no sexo feminino, um padrão já descrito na literatura e que poderá estar relacionado com fatores hormonais, embora os mecanismos exatos permaneçam pouco esclarecidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As projeções dos investigadores indicam que a prevalência global continuará a aumentar até cerca de 2032, seguindo-se uma fase de abrandamento progressivo até 2050. Ainda assim, o envelhecimento populacional poderá manter elevada a carga total destas doenças nos sistemas de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Leia o estudo <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12795021/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>
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		<item>
		<title>Inteligência artificial na Cardiologia: Casos práticos de envolvimento do doente e Medicina personalizada</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/inteligencia-artificial-na-cardiologia-casos-praticos-de-envolvimento-do-doente-e-medicina-personalizada/220385/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:16:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Daiichi Sankyo promoveu, a 25 de abril, uma Open Talk no âmbito do Congresso Português de Cardiologia 2026 (CPC 2026), realizado no Porto. Intitulada “Use Cases: AI for Patient Engagement &#38; Personalized Medicine”, a sessão contou com a apresentação do Dr. Fernando Montenegro Sá, cardiologista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos e mestre [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Daiichi Sankyo promoveu, a 25 de abril, uma Open Talk no âmbito do Congresso Português de Cardiologia 2026 (CPC 2026), realizado no Porto. Intitulada <em>“Use Cases: AI for Patient Engagement &amp; Personalized Medicine”</em>, a sessão contou com a apresentação do <strong>Dr. Fernando Montenegro Sá</strong>, cardiologista na Unidade Local de Saúde de Matosinhos e mestre em Informática Médica, que partilhou a sua experiência com soluções de inteligência artificial (IA) e de saúde digital na prática clínica quotidiana. A mensagem foi clara: mais do que uma promessa futura, a IA é já uma ferramenta concreta para melhorar a eficiência clínica, personalizar cuidados e libertar tempo para a relação médico-doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“Afogamo-nos em dados, mas sem tempo para os usar”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os profissionais de saúde dedicam uma fração crescente do seu tempo a tarefas administrativas e de registo, em detrimento da interação com o doente. Para o Dr. Fernando Montenegro Sá, a IA não é um substituto do clínico, mas um multiplicador capaz de devolver tempo à consulta, personalizar o acompanhamento e suportar decisões baseadas em dados. O paradigma que propõe é direto: “quero, logo [IA] faz”, refletindo a crescente disponibilidade de soluções que apoiam tarefas clínicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como sinal desta tendência, o orador referiu o exemplo do lançamento do ChatGPT Health (OpenAI), sem fins de diagnóstico ou tratamento, mas ilustrando a evolução das necessidades dos utilizadores, centradas sobretudo no controlo de doenças crónicas, sono, peso e desempenho físico. Este tipo de soluções antecipa uma mudança no perfil dos doentes que chegam à consulta: mais informados, mais exigentes e com acesso a ferramentas de saúde digital cada vez mais sofisticadas. No domínio da formação médica, deu o exemplo da Doctopedia XR, plataforma de treino em realidade aumentada disponível para dispositivos Meta Quest, que permite simular procedimentos como ecocardiografia e coronariografia num ambiente virtual imersivo. O foco da sessão centrou-se, contudo, no que está disponível e utilizável no dia a dia, reforçando que o valor da IA depende da sua integração nos fluxos de trabalho clínicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Casos clínicos: “Monitorizou, alertou e interveio antes da crise”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A aplicabilidade clínica da IA foi ilustrada pelo cardiologista através de vários casos, com ênfase na monitorização remota e na intervenção precoce. Num primeiro exemplo, um doente com fibrilhação auricular (FA) paroxística e baixa adesão terapêutica, raramente contactava o sistema de saúde entre consultas. A utilização de uma aplicação de monitorização do ritmo cardíaco permitiu o diagnóstico em ambulatório, com envio automático de alerta ao médico e o ajuste terapêutico sem necessidade de deslocação ao hospital. Para este caso, o orador apresentou dois tipos de solução baseadas em fotopletismografia, com exemplos do próprio: os chamados <em>wearables</em>, como <em>smartwatches</em> com validação para diagnóstico de FA (ex.: Apple, Google, Samsung, Huawei, Withings ou Garmin), alguns com capacidade de registo de ECG de uma derivação e notificação automática; e aplicações móveis, como o FibriCheck (Qompium), que analisa através da câmara o ritmo cardíaco, utilizando um algoritmo clinicamente validado, uma interface dedicada ao profissional de saúde com potencial aplicação em rastreio de FA de alto risco e monitorização em diferentes contextos clínicos.<sup>1,2</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num segundo caso clínico, aplicou-se a IA à estratificação de risco em doentes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção idêntica, demonstrando que podem seguir trajetórias terapêuticas completamente distintas quando algoritmos de aprendizagem automática integram dados de imagem cardíaca avançada, biomarcadores séricos e comorbilidades.<sup>3,4</sup> Modelos de enfermaria virtual, como a enfermaria virtual de Liverpool, com monitorização contínua e intervenção precoce, demonstraram que a gestão domiciliária da insuficiência cardíaca aguda é custo-efetiva face ao internamento convencional, com potencial redução de internamentos e recurso ao serviço de urgência.<sup>5</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro exemplo abordou a sobrecarga de notificações geradas por registadores de eventos implantáveis, um problema reconhecido em eletrofisiologia. A utilização de algoritmos de filtragem de alertas permitiu descartar até 66% de falsos positivos sem perda de informação relevante.<sup>6</sup> “Poupo horas de trabalho e aumento o tempo para o que realmente importa”, afirmou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, no último caso, destacou o envolvimento ativo do doente como elemento central da transformação digital. Um doente com doença coronária estável e FA, utiliza uma aplicação com <em>chatbot</em> clínico que combina lembretes de medicação, literacia em saúde e alertas de risco personalizados. Este modelo encontra suporte no estudo mAFA-II, cuja extensão seguiu 2473 doentes com FA confirmada durante um ano, dos quais 1261 usavam uma aplicação para <em>smartphone</em> e/ou <em>smartwatch</em> que integrava dados de frequência cardíaca, carga de FA, pressão arterial e monitorização da anticoagulação.<sup>7</sup> Nesta extensão, observou-se no braço de intervenção um menor risco do <em>outcome</em> composto de AVC isquémico/tromboembolismo sistémico, morte e re-hospitalização. A partir de múltiplos estudos, incluindo mAFA, uma metanálise de estudos que incluíram doentes que aderiram ao ABC Pathway (<em>Avoid stroke with anticoagulation</em>; <em>Better symptom control</em>; <em>Comorbidity and risk factor management</em>) face aos cuidados habituais sugeriram redução de:<sup>8,9</sup></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>58% na mortalidade por todas as causas (OR: 0,42; IC 95%: 0,31–0,56)</li>



<li>63% na mortalidade cardiovascular (OR: 0,37; IC 95%: 0,23–0,58)</li>



<li>45% no risco de AVC isquémico (OR: 0,55; IC 95%: 0,37–0,82)</li>



<li>31% no risco de hemorragia major (OR: 0,69; IC 95%: 0,51–0,94)</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>“A prática clínica já mudou”</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O orador sistematizou as ferramentas que integra na prática quotidiana, organizadas por destinatário. Para o clínico: modelos de linguagem de grande dimensão para pesquisa e síntese de informação; deu como exemplos Gamma App (Gamma Tech) ou Microsoft Co-Pilot (Microsoft) para criação de apresentações; Medgical, um sistema de registo automatizado de consultas; e PMcardio (Powerful Medical) para análise assistida de ECG. Para o doente: <em>smartwatch</em> para monitorização de arritmias; FibriCheck (Qompium), uma solução também para doentes sem <em>smartwatch</em>; e HiDoc (Daiichi Sankyo), avatar virtual para esclarecimento de dúvidas sobre o edoxabano e potenciais interações medicamentosas. O algoritmo Queen of Hearts (PMcardio, Powerful Medical) para deteção de enfarte agudo do miocárdio mereceu destaque particular.<sup>10 </sup>Estudos recentes sugerem que estes modelos podem atingir sensibilidade diagnóstica potencialmente superior à interpretação humana em contextos específicos, como após paragem cardíaca, embora possa haver perda de especificidade com a sensibilidade e a sua utilização deva ser integrada na avaliação clínica global.<sup>11</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Dr. Fernando Montenegro Sá reconheceu, porém, que a adoção de soluções de IA apresenta limitações: o seu custo para o doente, a necessidade de literacia digital e a adequação preferencial a populações urbanas e motivadas são condicionantes reais. São também soluções que ainda levantam questões relacionadas com a proteção de dados clínicos e sigilo médico. “A IA não substituirá os cardiologistas”, porque, segundo o orador, não realiza procedimentos, “não vai administrar fármacos”, nem decide de forma autónoma; contudo redistribui o trabalho clínico, transferindo o clínico das tarefas repetitivas para a decisão e para o doente. “Os cardiologistas que usarem IA vão progressivamente substituir os que não usam”, vaticinou o especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Abreviaturas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AVC: </strong>acidente vascular cerebral;<strong> ECG: </strong>eletrocardiograma; <strong>FA: </strong>fibrilhação auricular;<strong> IA: </strong>inteligência artificial;<strong> IC: </strong>intervalo de confiança;<strong> OR: </strong>odds ratio</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>1. </strong>Sollee J, Cheema B, Slotwiner D, Volodarskiy A, Desteghe L, Buyck C, et al. Fibricheck detection capabilities for atrial fibrillation (FDA-AF): a multicenter validation study. NPJ Digit Med. 2025 Nov 20;8(1):704. doi: 10.1038/s41746-025-02059-2; <strong>2.</strong> Guo Y, Wang H, Zhang H, Liu T, Liang Z, Xia Y, et al. Mobile Photoplethysmographic Technology to Detect Atrial Fibrillation. J Am Coll Cardiol. 2019 Nov 12;74(19):2365-2375. doi: 10.1016/j.jacc.2019.08.019; <strong>3.</strong> Gautam N, Ghanta SN, Clausen A, Saluja P, Sivakumar K, Dhar G, Chang Q, DeMazumder D, Rabbat MG, Greene SJ, Fudim M, Al&#8217;Aref SJ. Contemporary Applications of Machine Learning for Device Therapy in Heart&nbsp;Failure. JACC Heart Fail. 2022 Sep;10(9):603-622. doi: 10.1016/j.jchf.2022.06.011; <strong>4.</strong> Zhang C, Yang Z, Tang YD. Integrating multimodal intelligence in heart failure: AI-driven risk prediction, precision diagnosis, phenotyping, personalized treatment, and prognosis. Chin Med J (Engl). 2026 Mar 5;139(5):672-688. doi: 10.1097/CM9.0000000000004000; <strong>5.</strong> Rasoul D, Chattopadhyay I, Mayer T, West J, Stollar H, Black C, et al. Economic evaluation of the Liverpool heart failure virtual ward model. Eur Heart J Qual Care Clin Outcomes. 2025 Mar 3;11(2):197-205. doi: 10.1093/ehjqcco/qcae095; <strong>6.</strong> Mittal S, Oliveros S, Li J, Barroyer T, Henry C, Gardella C. AI Filter Improves Positive Predictive Value of Atrial Fibrillation Detection by an Implantable Loop Recorder. JACC Clin Electrophysiol. 2021 Aug;7(8):965-975. doi: 10.1016/j.jacep.2020.12.006; <strong>7.</strong> Guo Y, Guo J, Shi X, Yao Y, Sun Y, Xia Y, et al. Mobile health technology-supported atrial fibrillation screening and integrated care: A report from the mAFA-II trial Long-term Extension Cohort. Eur J Intern Med. 2020 Dec;82:105-111. doi: 10.1016/j.ejim.2020.09.024; <strong>8.</strong> Lip GYH. The ABC pathway: an integrated approach to improve AF management. Nat Rev Cardiol. 2017 Nov;14(11):627-628. doi: 10.1038/nrcardio.2017.153; <strong>9.</strong> Romiti GF, Pastori D, Rivera-Caravaca JM, Ding WY, Gue YX, Menichelli D, et al. Adherence to the &#8216;Atrial Fibrillation Better Care&#8217; Pathway in Patients with Atrial Fibrillation: Impact on Clinical Outcomes-A Systematic Review and Meta-Analysis of 285,000 Patients. Thromb Haemost. 2022 Mar;122(3):406-414. doi: 10.1055/a-1515-9630; <strong>10.</strong> Carvalho PEP, Belzer W, Pollmann DL, Helseth HC, Traverse JH, Herman R, et al. AI-Enhanced Electrocardiogram for Detection of Occlusive Myocardial Infarction in High-Risk Non-ST-Segment Elevation Acute Coronary Syndrome. JACC Adv. 2026 Apr;5(4):102663. doi: 10.1016/j.jacadv.2026.102663; <strong>11.</strong> Silwanis C, Eder J, Fellner A, Nahler A, Groche M, Blessberger H, et al. Artificial intelligence versus human expertise: ECG-based detection of occlusive myocardial infarction after cardiac arrest. Resuscitation. 2026 Jan;218:110905. doi: 10.1016/j.resuscitation.2025.</p>
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		<title>Força muscular simples pode antecipar risco cardiovascular</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/forca-muscular-simples-pode-antecipar-risco-cardiovascular/220393/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:15:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A força muscular avaliada através de testes simples e de baixo custo poderá ajudar a prever o risco futuro de doença cardiovascular e diabetes tipo 2, segundo uma meta-análise de 94 estudos publicada no British Journal of Sports Medicine. O estudo reforça o valor clínico da aptidão muscular como biomarcador funcional de saúde a longo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A força muscular avaliada através de testes simples e de baixo custo poderá ajudar a prever o risco futuro de doença cardiovascular e diabetes tipo 2, segundo uma meta-análise de 94 estudos publicada no <em>British Journal of Sports Medicine</em>. O estudo reforça o valor clínico da aptidão muscular como biomarcador funcional de saúde a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os métodos analisados destacam-se a força de preensão manual, medida com dinamómetro, e o teste de levantar e sentar de uma cadeira cinco vezes consecutivas. De acordo com os investigadores, desempenhos inferiores nestas provas associam-se a maior probabilidade de desenvolver várias patologias crónicas ao longo do tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além da doença cardiovascular e diabetes tipo 2, os autores identificaram relações entre menor força muscular e risco acrescido de declínio cognitivo, depressão, incapacidade funcional e doenças neurodegenerativas, como demência e doença de Parkinson.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os investigadores sublinham que a principal vantagem destes testes reside na rapidez de execução, simplicidade operacional e reduzido custo, o que facilita a sua integração em cuidados de saúde primários, consultas hospitalares e programas comunitários de prevenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática clínica, estes instrumentos poderão apoiar a estratificação precoce de risco cardiometabólico e orientar intervenções dirigidas, nomeadamente prescrição de exercício físico, treino de força e promoção de estilos de vida saudáveis.</p>
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		<title>Proatividade e ciência da implementação são os pilares da 4.ª edição do Prémio Missão 70/26</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/proatividade-e-ciencia-da-implementacao-sao-os-pilares-da-4-a-edicao-do-premio-missao-70-26/220432/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Beatriz Pina]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 14:02:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Ação na HTA – Inovar para Controlar” é o mote da 4.ª edição do Prémio Missão 70/26, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) em parceria com a Servier Portugal. Esta edição visa distinguir e reconhecer o mérito de iniciativas e trabalhos com aplicabilidade prática e/ou clínica que tenham por objetivo fomentar a ciência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“Ação na HTA – Inovar para Controlar” é o mote da 4.ª edição do Prémio Missão 70/26, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) em parceria com a Servier Portugal. Esta edição visa distinguir e reconhecer o mérito de iniciativas e trabalhos com aplicabilidade prática e/ou clínica que tenham por objetivo fomentar a ciência da implementação, ou seja, a proatividade e ações concretas na gestão dos doentes hipertensos, com potencial de gerar resultados concretos no controlo da hipertensão arterial, o principal fator de risco cardiovascular em Portugal. As candidaturas já estão abertas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta iniciativa surge integrada no conjunto de ações destinadas a profissionais de saúde que a SPH está a implementar no âmbito do projeto estratégico “Missão 70/26”. O objetivo final continua a ser o mesmo: conseguir que, até ao fim de 2026, pelo menos 70% dos doentes hipertensos entre os 18 e os 64 anos, que são acompanhados nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal, tenham a sua pressão arterial controlada*.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização do Prémio Missão 70/26 reforça que o júri desta 4.ª edição vai valorizar a criatividade, a inovação e a aplicabilidade prática das propostas, com o intuito de encontrar soluções que contribuam para um melhor controlo tensional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem quiser participar já pode submeter os seus trabalhos. O prazo de candidaturas abriu no dia 29 de junho e termina a 30 de novembro de 2026. Todo o processo é feito através do preenchimento de um formulário no website do Prémio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os projetos vencedores vão ser anunciados e entregues numa sessão solene durante o XXI Congresso de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, marcado para os dias 18 a 21 de fevereiro de 2027, no Algarve.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ler o regulamento e fazer a sua inscrição, aceda a <a href="https://www.missao7026.pt/premio-70-26/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.missao7026.pt/premio-70-26/</a>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">*Dados do Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários (BI-CSP).</p>
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		<title>Gestão lipídica no doente de alto e muito alto risco cardiovascular: entre os alvos de c-LDL e a prática clínica</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/gestao-lipidica-no-doente-de-alto-e-muito-alto-risco-cardiovascular-entre-os-alvos-de-c-ldl-e-a-pratica-clinica/220382/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 11:26:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar do impacto histórico das estatinas na redução do risco cardiovascular, nos doentes com alto e muito alto risco os alvos de c-LDL continuam frequentemente por atingir. Foi em torno desta realidade que a Daiichi-Sankyo organizou um simpósio satélite no Congresso Português de Cardiologia (CPC) 2026, realizado a 25 de abril na Alfândega do Porto, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Apesar do impacto histórico das estatinas na redução do risco cardiovascular, nos doentes com alto e muito alto risco os alvos de c-LDL continuam frequentemente por atingir. Foi em torno desta realidade que a Daiichi-Sankyo organizou um simpósio satélite no Congresso Português de Cardiologia (CPC) 2026, realizado a 25 de abril na Alfândega do Porto, reunindo o <strong>Prof.</strong> <strong>Nuno Bettencourt</strong> (Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) e o <strong>Prof.</strong> <strong>Miguel Nobre Menezes</strong> (ULS Santa Maria) para debater estratégias de controlo lipídico à luz das recomendações da ESC/EAS de 2025 e da experiência clínica real.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Terapêuticas de combinação: recomendadas nas diretrizes, subutilizadas na prática</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Prof. Nuno Bettencourt abriu a sessão recordando que a relação causal entre o c-LDL e a doença cardiovascular aterosclerótica, responsável por cerca de 4 milhões de mortes anuais na Europa, é uma das mais sólidas da medicina, estabelecida por ensaios aleatorizados, coortes prospetivas de longa duração e aleatorização mendeliana.<sup>1–3</sup> Do estudo 4S com sinvastatina (1994) até aos ensaios mais recentes, a mensagem é consistente: cada redução adicional de c-LDL traduz-se numa redução proporcional de eventos, sem identificação de qualquer limiar inferior de benefício.<sup>4–13</sup> A dislipidemia é provavelmente o fator de risco cardiovascular modificável com maior peso atribuível: para uma razão ApoB/ApoA1 elevada, estima-se um risco atribuível de 49,2% de enfartes agudos do miocárdio (p&lt;0,0001; INTERHEART).<sup>14</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio, sublinhou o cardiologista, não é de falta de evidência, mas de execução. Os dados do SANTORINI em Portugal mostram que a maioria dos doentes de alto e muito alto risco cardiovascular não atinge os valores-alvo de c-LDL recomendados e que dois terços não viram a terapêutica intensificada ao longo de um ano de seguimento, apesar de não estarem controlados.<sup>15–17</sup> Com a monoterapia atual, acrescentou, atingir “uma redução na ordem de 66%” de c-LDL, necessária para “passar de 160 mg/dL para o limiar de 55 mg/dL”, é extremamente improvável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização de 2025 das <em>guidelines</em> ESC/EAS de 2019 para o tratamento de dislipidemias reforça a necessidade de maior ambição terapêutica:<sup>18</sup></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Valor-alvo de c-LDL &lt;55 mg/dL (com redução ≥50%) para doentes de muito alto risco; nova categoria de risco extremo com valor-alvo de c-LDL &lt;40 mg/dL;</li>



<li>Terapêutica combinada (estatina + ezetimiba) precoce, particularmente em doentes de alto e muito alto risco com necessidade de reduções significativas de c-LDL;</li>



<li>Ácido bempedoico com recomendação de classe I em doentes que não conseguem tomar estatinas e de classe IIa como terapêutica adicional em doentes de alto e muito alto risco quando o valor-alvo de c-LDL não é atingido com estatina na dose máxima tolerada ± ezetimiba;</li>



<li>Deve ser considerado o início de terapêutica combinada com estatina de alta intensidade + ezetimiba, durante a hospitalização por síndrome coronária aguda, em doentes sem terapêutica prévia nos quais não se prevê atingir os objetivos de c-LDL com estatina em monoterapia.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência suporta esta mudança de paradigma. O SWEDEHEART associou redução precoce e sustentada do colesterol não-HDL a menor incidência de eventos cardiovasculares major (MACE).<sup>19</sup> O RACING demonstrou melhor tolerabilidade da terapêutica combinada (estatina de intensidade moderada + ezetimiba) face a estatina de alta intensidade em monoterapia (descontinuação ou redução da dose do fármaco do estudo por intolerância: 4,8% <em>versus</em> 8,2%).<sup>20</sup> Já o SANTORINI confirmou que iniciar terapêutica combinada aumenta a probabilidade de atingir o alvo (<em>odds ratio</em> 6,1 <em>versus</em> 2,1 com titulação ascendente de estatina).<sup>16</sup> No caso de um estudo com terapêutica tripla estatina + ezetimiba + ácido bempedoico, mais de 90% dos doentes atingiram uma redução de c-LDL ≥50% <em>versus</em> valor basal, destacando o contributo do ácido bempedoico na redução de c-LDL.<sup>21</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ácido bempedoico: da intolerância às estatinas à terapêutica de combinação</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Prof. Miguel Nobre Menezes retomou o problema central identificado pelo Prof. Nuno Bettencourt e reiterou, com base em dados de vida real — incluindo o registo SANTORINI em contexto português —, que a maioria dos doentes de alto e muito alto risco cardiovascular não atinge os alvos recomendados.<sup>15-17 </sup>Acrescentou ainda dois obstáculos específicos que ajudam a explicar por que este desfasamento persiste na prática clínica. O primeiro é a intolerância às estatinas presente em cerca de 10% dos doentes de alto e muito alto risco, de acordo com evidência do estudo PORTRAIT-DYS, realizado na ULS de Matosinhos.<sup>22</sup> O segundo, e clinicamente mais prevalente, é a rejeição das estatinas, fenómeno distinto frequentemente associado a perceções negativas e que condiciona a adesão mesmo na ausência de efeitos adversos objetivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o ácido bempedoico surge como uma opção terapêutica dirigida a necessidades não atendidas. Trata-se de um pró-fármaco ativado no fígado, onde inibe a ATP-citrato liase, reduzindo a síntese de colesterol e aumentando a expressão dos recetores hepáticos de LDL, o que favorece a recaptação hepática de c-LDL em circulação.<sup>23,24</sup> A ausência de ativação no músculo esquelético contribui para um perfil de tolerabilidade favorável a nível muscular.<sup>24</sup> Entre os efeitos adversos a considerar, o cardiologista salientou a hiperuricemia e gota, esta última observada em 3,1% dos doentes no grupo ácido bempedoico <em>versus</em> 2,1% no grupo placebo, no estudo CLEAR Outcomes.<sup>25,26</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência suporta esta mudança de paradigma. No ensaio CLEAR OUTCOMES, em doentes intolerantes a estatinas, o ácido bempedoico associou-se a reduções significativas do c-LDL e a diminuição de eventos cardiovasculares <em>major</em>.<sup>25</sup> Estes resultados são consistentes com os observados nos restantes ensaios do programa CLEAR, que demonstraram reduções significativas do c-LDL com ácido bempedoico <em>versus</em> placebo.<sup>21,24</sup> Adicionalmente, dados de vida real do registo MILOS confirmam que a utilização de ácido bempedoico ou da combinação de dose fixa ácido bempedoico + ezetimiba, com ou sem outras terapêuticas hipolipemiantes, esteve associada a um aumento da proporção de doentes que atingiram os seus valores-alvo de c-LDL, em múltiplos países europeus.<sup>27–31</sup> A atualização de 2025 às <em>guidelines</em> ESC/EAS de 2019 para o tratamento das dislipidemias formaliza este posicionamento, com o ácido bempedoico recomendado em doentes que não conseguem tomar estatinas (classe I) e como terapêutica adicional em doentes de alto e muito alto risco CV que não atingem o valor-alvo de c-LDL com estatina na dose máxima tolerada ± ezetimiba (classe IIa).<sup>18</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>&#8220;Colesterol um bocadinho alto&#8221;: quando a perceção do doente e o risco diferem</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso clínico ilustra dois problemas frequentes na prática clínica: a desvalorização da dislipidemia pelo próprio doente e o percurso terapêutico quando a estatina deixa de ser uma opção. Homem de 58 anos, ex-fumador, muito ativo fisicamente, que refere ter &#8220;tentado de tudo&#8221; para a dislipidemia sem concretizar fármacos ou doses. Recorre à consulta por precordialgia atípica durante o exercício e descreve o colesterol como &#8220;um bocadinho alto&#8221;. Com base neste quadro clínico, a maioria da assistência (61%) optaria por solicitar ECG, avaliação laboratorial e angio-TC coronária como meios complementares de diagnóstico e terapêutica, a mesma opção do Prof. Miguel Nobre Menezes, que permitiu simultaneamente estratificar o risco e esclarecer a sintomatologia. Os resultados revelaram um c-LDL de 160 mg/dL e doença coronária subclínica (<em>score</em> de cálcio de 267 e placa de 50–69% na coronária direita), levando à reclassificação do risco e à definição de um valor-alvo de c-LDL &lt;55 mg/dL, o que supõe uma redução de pelo menos 66% do c-LDL.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante este valor-alvo, 91% da assistência escolheu a mesma proposta terapêutica do cardiologista, de rosuvastatina 40 mg + ezetimiba 10 mg. No entanto, face à relutância do doente, optou por uma abordagem mais conservadora, com doses iniciais baixas de estatina associadas a ezetimiba. A estratégia revelou-se, contudo, inviável, após relato de intolerância muscular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa terceira fase, a estratégia foi revista, tendo 81% da assistência optado pela mesma combinação proposta pelo cardiologista: ácido bempedoico 180 mg + ezetimiba 10 mg, opção alinhada com a recomendação de classe I para doentes que não conseguem tomar estatinas, de acordo com a atualização de 2025 às <em>guidelines</em> ESC/EAS de 2019 para o tratamento de dislipidemias. O resultado analítico foi:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>c-LDL: 68 mg/dL — redução de 57,5% face ao valor basal de 160 mg/dL;</li>



<li>Valor abaixo de 70 mg/dL, com aproximação ao alvo de 55 mg/dL num doente sem tolerância a qualquer dose de estatina</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O caso documenta o potencial desta combinação num cenário clínico frequente: doente de muito alto risco, intolerante a estatina, com c-LDL muito elevado e alvo ambicioso onde a combinação ácido bempedoico + ezetimiba produziu uma redução de 57,5% bem tolerada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Inércia terapêutica em prevenção secundária: quando &#8220;quase no alvo&#8221; não basta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Prof. Nuno Bettencourt retomou a discussão com um caso de prevenção secundária que ilustra a persistência de valores de c-LDL acima do alvo apesar de terapêutica combinada na dose máxima tolerada. Tratava-se de um doente com doença coronária estabelecida, sob atorvastatina 20 mg + ezetimiba 10 mg, sem atingir o valor-alvo de &lt;55 mg/dL.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução longitudinal evidenciou um padrão de inércia terapêutica: valores de c-LDL desde 2021 consistentemente próximos do valor-alvo (59–65 mg/dL), sem intensificação sustentada, uma tentativa de escalada (atorvastatina 40 mg + ezetimiba 10 mg) com controlo transitório (48 mg/dL) e posterior retrocesso por intolerância muscular (62 mg/dL). A introdução de ácido bempedoico 180 mg em outubro de 2024 permitiu atingir e manter valores no alvo em avaliações subsequentes (~53 mg/dL).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio orador reconheceu este padrão na sua prática clínica, assumindo que durante anos adiou a decisão de intensificar o tratamento perante valores “quase controlados”, advertindo que, em doentes de muito alto risco, pequenas diferenças face ao alvo representam risco residual evitável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a combinação na dose máxima tolerada não atinge o alvo, o racional de escalada é:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Confirmar adesão real e excluir causas secundárias de dislipidemia</li>



<li>Manter estatina na dose máxima tolerada e ezetimiba</li>



<li>Avançar para terceira linha: ácido bempedoico como opção oral; inibidores de PCSK9 ou inclisiran quando maior redução é necessária</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A terapêutica tripla de atorvastatina 20 mg + ezetimiba 10 mg + ácido bempedoico 180 mg permitiu atingir e manter c-LDL de 53 mg/dL. A mensagem transcende o caso: em doentes de muito alto risco, não diminuir a exigência terapêutica enquanto houver opções disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Trinta anos de evidência, um fosso por fechar</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O Prof. Miguel Nobre Menezes encerrou sublinhando que a evidência para redução do c-LDL se acumula há mais de 30 anos e que os ensaios recentes deixaram de mostrar redução de mortalidade não porque o benefício desapareceu, mas porque as populações são cada vez mais eficazmente tratadas. Não existindo limiar inferior de benefício relatado, para doentes de maior risco basal nos quais as reduções de c-LDL são mais expressivas, o benefício é maior.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, o fosso persiste:<sup>15–17</sup></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Alvos ambiciosos de c-LDL, conforme as <em>guidelines</em> ESC/EAS mais recentes, não atingidos pela maioria dos doentes, confirmado por dados portugueses;</li>



<li>Combinações estatina + ezetimiba subutilizadas; inibidores de PCSK9 ainda com limitações de acesso .</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O ácido bempedoico foi apresentado pelo especialista como parte essencial do arsenal terapêutico atual, com um perfil de eficácia/segurança favorável, quer em monoterapia quer em terapêutica de combinação, integrável mesmo em doentes sob estatina de alta intensidade e ezetimiba.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referências</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1. </strong>Mach F, Baigent C, Catapano AL, Koskinas KC, Casula M, Badimon L, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. Eur Heart J. 2020 Jan 1;41(1):111-188. doi: 10.1093/eurheartj/ehz455; <strong>2.</strong> Townsend N, Wilson L, Bhatnagar P, Wickramasinghe K, Rayner M, Nichols M. Cardiovascular disease in Europe: epidemiological update 2016. Eur Heart J. 2016 Nov 7;37(42):3232-3245. doi: 10.1093/eurheartj/ehw334; <strong>3.</strong> Ference BA, Ginsberg HN, Graham I, Ray KK, Packard CJ, Bruckert E, et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. 1. Evidence from genetic, epidemiologic, and clinical studies. A consensus statement from the European Atherosclerosis Society Consensus Panel. Eur Heart J. 2017 Aug 21;38(32):2459-2472. doi: 10.1093/eurheartj/ehx144; <strong>4.</strong> Pedersen TR, Kjekshus J, Berg K, Haghfelt T, Faergeman O, Thorgeirsson G, et al. Randomised trial of cholesterol lowering in 4444 patients with coronary heart disease: the Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S). Lancet. 1994 Nov 19;344(8934):1383-9; <strong>5.</strong> Sever PS, Dahlöf B, Poulter NR, Wedel H, Beevers G, Caulfield M, et al. Prevention of coronary and stroke events with atorvastatin in hypertensive patients who have average or lower-than-average cholesterol concentrations, in the Anglo-Scandinavian Cardiac Outcomes Trial&#8211;Lipid Lowering Arm (ASCOT-LLA): a multicentre randomised controlled trial. Lancet. 2003 Apr 5;361(9364):1149-58. doi: 10.1016/S0140-6736(03)12948-0; <strong>6.</strong> de Lemos JA, Blazing MA, Wiviott SD, Lewis EF, Fox KA, White HD, et al. 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Initiating combination therapy facilitates better LDL-C goal attainment than statin up-titration over 1 year: An analysis from the santorini study. Atherosclerosis. 2025 Aug;407(Suppl):119636. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.119636; <strong>17.</strong> Aguiar C, Aguiar P, Sequeira Duarte J, Gil V, Mimoso J, Monteiro P, et al. Lipid-lowering therapy and LDL cholesterol control among high- and very high-risk patients in Portugal: An analysis of the SANTORINI study. Rev Port Cardiol. 2026 Feb;45(2):51-64. English, Portuguese. doi: 10.1016/j.repc.2025.10.003; <strong>18. </strong>Mach F, Koskinas KC, Roeters van Lennep JE, Tokgözoğlu L, Badimon L, Baigent C,&nbsp;et al.&nbsp; 2025 Focused Update of the 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2025 Nov 7;46(42):4359-4378. doi: 10.1093/eurheartj/ehaf190; <strong>19.</strong> Schubert J, Leosdottir M, Lindahl B, Westerbergh J, Melhus H, Modica A, et al. 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Atherosclerosis. 2021 Mar;320:122-128. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2020.12.023; <strong>22. </strong>Gavina C, Seabra-Carvalho D, Aguiar C, Anastassopoulou A, Teixeira C, Ruivo JA, et al. Characterization and LDL-C management in a cohort of high and very high cardiovascular risk patients: The PORTRAIT-DYS study. Clin Cardiol. 2024 Jan;47(1):e24183. doi: 10.1002/clc.24183; <strong>23.</strong> Pinkosky SL, Newton RS, Day EA, Ford RJ, Lhotak S, Austin RC, et al. Liver-specific ATP-citrate lyase inhibition by bempedoic acid decreases LDL-C and attenuates atherosclerosis. Nat Commun. 2016 Nov 28;7:13457. doi: 10.1038/ncomms13457; <strong>24.</strong> Ballantyne CM, Bays H, Catapano AL, Goldberg A, Ray KK, Saseen JJ. Role of Bempedoic Acid in Clinical Practice. Cardiovasc Drugs Ther. 2021 Aug;35(4):853-864. doi: 10.1007/s10557-021-07147-5; <strong>25.</strong> Nissen SE, Lincoff AM, Brennan D, Ray KK, Mason D, Kastelein JJP, et al. Bempedoic Acid and Cardiovascular Outcomes in Statin-Intolerant Patients. N Engl J Med. 2023 Apr 13;388(15):1353-1364. doi: 10.1056/NEJMoa2215024; <strong>26.</strong> Ray KK, Nicholls SJ, Lincoff AM, Li N, Powell HA, Herout PM, Bloedon L, Nissen SE. Association of Uric Acid-Lowering Therapies on Gout Frequency with Bempedoic Acid: Clinical Insights From CLEAR Outcomes. JACC Adv. 2025 Nov;4(11 Pt 1):102207. doi: 10.1016/j.jacadv.2025.102207; <strong>27. </strong>Gouni-Berthold I, Wouter Jukema J, Koskinas K, Ray K, Averna M, Stulnig T, et al. Real-world effectiveness and safety of bempedoic acid in Europe: final 2-year results from the MILOS German cohort. Clin Res Cardiol. 2024 Oct. 113(10):1514. doi: 10.1007/s00392-024-02526-y; <strong>28.</strong> Stulnig T, Gouni-Berthold I, Wouter Jukema J, Roeters Van Lennep J, Ray K, Koskinas K, et al. Real-world prospective data from Austria on bempedoic acid and/or its fixed-dose combination with ezetimibe for the treatment of dyslipidaemia. Atherosclerosis. 2025 Aug;407(Suppl):119587. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.119587; <strong>29.</strong> Vanassche T, Gouni-Berthold I, Wouter Jukema J, Roeters Van Lennep J, Ray K, Koskinas K, et al. Usage of bempedoic acid and/or its fixed-dose combination with ezetimibe in Belgian patients with dyslipidaemia: Baseline characteristics and 8-week follow-up data from the MILOS study. Atherosclerosis. 2025 Aug;407(Suppl):119532. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.119532; <strong>30.</strong> Averna M, Gouni-Berthold I, Wouter Jukema J, Roeters Van Lennep J, Ray K, Koskinas K, et al. Evaluating dyslipidaemia treatment with bempedoic acid and ezetimibe over 8 weeks in the Italian cohort of the MILOS observational study. Atherosclerosis. 2025 Aug;407(Suppl):119584. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.119584; <strong>31.</strong> Ray K, Gouni-Berthold I, Wouter Jukema J, Roeters Van Lennep J, Koskinas K, Stulnig T, et al. Real world insights from the United Kingdom on 8-week effectiveness of bempedoic acid and/or its fixed-dose combination with ezetimibe in patients with dyslipidaemia. Atherosclerosis. 2025 Aug;407(Suppl):119582. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.119582.</p>
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		<title>Cardiologistas de Intervenção alertam para aumento do risco cardiovascular no verão</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/cardiologistas-de-intervencao-alertam-para-aumento-do-risco-cardiovascular-no-verao/220375/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 11:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) voltou a lançar a campanha &#8220;A saúde do coração não tira férias&#8221;, que assinala a sua quinta edição com o objetivo de reforçar a prevenção da doença coronária durante os meses de verão. A iniciativa alerta para o impacto das temperaturas elevadas na saúde cardiovascular e recorda que [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) voltou a lançar a campanha &#8220;A saúde do coração não tira férias&#8221;, que assinala a sua quinta edição com o objetivo de reforçar a prevenção da doença coronária durante os meses de verão. A iniciativa alerta para o impacto das temperaturas elevadas na saúde cardiovascular e recorda que a adoção de medidas preventivas continua a ser essencial, mesmo em período de férias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;As doenças cardiovasculares mantêm-se como a principal causa de morte em Portugal e no mundo. O coração não descansa durante o verão&#8221;, sublinha a presidente da APIC, Joana Delgado Silva, salientando que o calor extremo pode favorecer a desidratação, aumentar a sobrecarga cardíaca e, em situações graves, conduzir ao golpe de calor. A especialista recomenda hidratação adequada, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e privilegiar ambientes frescos e arejados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A APIC recorda que a doença coronária resulta da acumulação de placas de aterosclerose nas artérias coronárias, reduzindo o aporte de oxigénio ao miocárdio e podendo manifestar-se por angina de peito ou enfarte agudo do miocárdio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A campanha reforça ainda a importância de controlar os fatores de risco modificáveis, nomeadamente tabagismo, dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e stress. A prática regular de atividade física e uma alimentação equilibrada devem manter-se durante todo o ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante sintomas sugestivos de síndrome coronária aguda, como dor torácica, dispneia, sudorese, náuseas ou vómitos, a recomendação é ligar imediatamente para o 112. A Via Verde Coronária mantém cobertura nacional permanente, permitindo reduzir o tempo até ao tratamento e melhorar o prognóstico dos doentes.</p>
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		<title>Estudos ligam corantes e conservantes a diabetes e hipertensão</title>
		<link>https://mycardiologia.pt/atualidade/estudos-ligam-corantes-e-conservantes-a-diabetes-e-hipertensao/220353/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 09:37:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três estudos franceses publicados em revistas científicas internacionais alertam para uma possível ligação entre o consumo de corantes e conservantes alimentares e um risco acrescido de cancro, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. A investigação integrou o projeto NutriNet-Santé e envolveu equipas do Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica de França (Inserm), do [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Três estudos franceses publicados em revistas científicas internacionais alertam para uma possível ligação entre o consumo de corantes e conservantes alimentares e um risco acrescido de cancro, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A investigação integrou o projeto NutriNet-Santé e envolveu equipas do Instituto Nacional de Saúde e Investigação Médica de França (Inserm), do INRAE, das universidades Sorbonne Paris Nord e Paris Cité e do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios. Os trabalhos, publicados nas revistas <em>Diabetes Care</em>, <em>European Journal of Epidemiology</em> e <em>European Heart Journal</em>, analisaram dados de mais de 100 mil participantes. Segundo os investigadores, mais de 139 mil produtos alimentares e bebidas identificados na base de dados Open Food Facts contêm pelo menos um corante, enquanto mais de 700 mil incluem conservantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostram que indivíduos com maior consumo de corantes alimentares apresentaram um risco 38% superior de desenvolver diabetes tipo 2. Entre os compostos mais associados ao risco destacam-se o caramelo comum (E150a), ligado a um aumento de 46%, e a curcumina (E100), associada a um aumento de 49%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente aos conservantes, os investigadores observaram um risco 24% mais elevado de hipertensão nos participantes mais expostos. O sorbato de potássio (E202) foi associado a um aumento de 39% do risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os autores defendem a reavaliação da segurança de alguns aditivos e recomendam privilegiar alimentos frescos ou minimamente processados.</p>
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